quarta-feira, 21 de agosto de 2013

O EMPREGO

Simplesmente brilhante... "O Emprego" é um curta metragem que nos apresenta de forma irônica o cotidiano do homem contemporâneo, além de permitir várias análises e críticas que perpassam desde a estrutura econômica à social, entre tantas outras. No mais é um curta metragem que dispensa qualquer comentário.





"Curta de animação / curta-metragem de animação
Vencedor de 102 prêmios internacionais / vencedor de 102 prêmios internacionais.

Endereço / Direção: Grasso 'Bou' Santiago
Idéia: Patricio Plaza
Animação / Animação: Santiago Grasso / Patricio Plaza
Produtor / Produção Empresa: Opusbou"

Referências

LICENTIA, Henrique. O Emprego. In: YouTube. Disponível em: < https://www.youtube.com/watch?v=Kxbz6WvNq50 > Postado em: 23 Ago 2013. Acessado em: 08 Set 2014.

domingo, 11 de agosto de 2013

"L'homme qui plantait des arbres" - Jean Giono

Costumamos ouvir em nosso cotidiano que uma andorinha só não faz verão. Esta expressão é utilizada nos mais variados contextos, mas no conto "O homem que plantava árvores" de Jean Giono essa expressão não se fez regra. Nesse conto, cuja história perpassa a primeira e a segunda guerra mundial, Elezéard Bouffier, personagem central junto ao narrador, nos dá um exemplo de ética, humanidade, simplicidade e serenidade ativa. O presente conto nos mostra como o ar que abastece nossos pulmões nos possibilitando vida e o vento que semeia sementes pela terra, podem se tornar gases venenosos em prol do capital e ventos revoltosos e destruidores, a ponto provocar até mesmo a loucura. Inúmeros ensinamentos podem der retirados deste magnífico conto, porém dentre estes o que mais cativou foi demonstração de que o ser humano não precisa ser esse animal destruidor que temos presenciado ao longo da história e que se potencializou com o capitalismo avançado; se seremos destruidores ou edificadores, depende de nossas escolhas e que simples gestos podem se tornar grandes mudanças, ou seja, uma andorinha pode não fazer verão, mas pode fazer a diferença... pois, o que é vida se não um plantio?

O HOMEM QUE PLANTAVA ÁRVORES:




domingo, 2 de junho de 2013

XADREZ: muito mais que um simples jogo.

Acredito que estes dois vídeos dispensam introdução, portanto vamos ao que interessa:

Vida em Miniatura: um vídeo documentário sobre xadrez



Curta metragem "O Xadrez das Cores" dirigido por Marco Schiavon


  
            Costumamos ouvir que o xadrez é um passatempo, esporte ou jogo de burguês. Por várias vezes já ouvi que este é um jogo para ‘nerds’ ou ‘crânios’.  Estes tipos de argumentos fazem parecer que pessoas simples ou trabalhadores braçais não podem desfrutar deste magnífico esporte. O que é engano fortemente difundido pelo senso comum.
            Podemos tomar por base Cuba, que é um país onde o xadrez é altamente difundido, porém, segundo o CIA Word Factbook, no ano de 2010 estava em sexagésimo oitavo (68º) lugar na escala do P.I.B mundial, enquanto o Brasil, na mesma pesquisa e ano, estava em sétimo (7º) lugar. Desta forma podemos perceber que este tipo de argumento acaba sendo mais um temor do novo ou desconhecido, do que uma verdade.

          
                                                                                               
Porém essa concepção pode ter sido perpetuada devido à
história de como este foi criado e por quem era jogado no princípio,
 pois segundo Boris Zlotnik (2006, p.11) e seus colaboradores“o
xadrez é conhecido como jogo de intelectual há cerca de 1.500
anos. Inicialmente, era considerado um jogo para nobres, sendo,
inclusive, imprescindível para a formação cavalheiresca”.
Vejamos um pouco da história do xadrez segundo o “Curso Básico de Xadrez” de Anderson Olímpio:


A invenção do jogo de xadrez se relaciona diretamente com a matemática, a partir de um antigo pergaminho que relata o seguinte:
Estava enfermo certo Rei na India e lhe indicaram que deveria se distrair com algo agradável. Para ele Dahir al-Hindi elaborou o jogo de xadrez. Depois de ter expressado sua alegria pela invenção, o Rei disse: “Peca uma recompensa”.
Dahir al-Hindi pediu um dirhem (moeda de prata utilizada pelos árabes na Idade
Média) para a primeira casa do tabuleiro e que fosse dobrando progressivamente este número a cada uma das casinhas restantes, a que o Rei comentou: "Me assombra que um homem como você, capaz de criar um jogo tão maravilhoso, aceite recompensa tão pequena. Que receba o que pede".
Mas quando o assunto chegou aos ouvidos de seu Vizir, este se apresentou diante o Rei e disse: “Precisas saber, oh Rei, que mesmo vivendo mil anos e recolhendo para ti todos os tesouros da Terra, não poderá pagar o que lhe foi pedido”.
A quantidade que resulta de dobrar o primeiro número para cada uma das casas do tabuleiro resulta em: 18.446.744.073.709.551.615.
Esta lenda já foi contada de muitas maneiras, trocando os nomes dos protagonistas e até o motivo da recompensa. Porém, os ancestrais do xadrez provavelmente surgiram a 40 séculos antes de nossa era, dada a escrita pictórica e escultura, que servem para iniciar as investigações sobre o jogo. Ainda que a informação
mais divulgada durante os últimos três séculos, sustenta que o xadrez foi inventado na Ásia Central, no noroeste da India.
Foi no último período da Idade Média, que o xadrez recebe sua denominação atual. O processo de difusão do jogo ocorre entre os séculos VI e IX quando chega à Europa com a invasão dos mouros pela península ibérica, Itália e Grécia. Na Espanha o jogo teve grande desenvolvimento e contou com apoio oficial. Como conseqüência da assimilação cultural entre os mulçumanos e os católicos. Nesta etapa se publica o “Libro de ajedrez”, em 1232, durante o reinado de Alfonso X, o Sábio, que fora o seu autor. A obra mais importante sobre o xadrez na Idade Média foi o “Códice” do mesmo Alfonso X, Sevilha 1283, cujo original se conserva no Monastério de Escorial. Também na Espanha aparecem outros livros de importância para a história do xadrez como o de Lucena (1497) que contém três movimentos das peças antigas e o livro da “Invencion Liberal y del juego de Ajedrez” (1561) do espanhol Ruy Lopez de Segura. A Itália contribui com as obras de Carrera (1617) e de Greco (1688), que foram os precursores do xadrez moderno. No século XVII e princípios do século XVIII surgiram outros valores como o árabe Felipe Stamma (1735), o francês Andre Danican Philidor (1740), e os italianos Ercole do Rio, Loky e Ponziani.
Para o estudo do xadrez e sua melhor compreensão se propõem a divisão de sua história e desenvolvimento em dois grandes períodos: o antigo e o moderno.
Antigo: desde sua origem ate início do século XVII, quando se consolida as regras fundamentais.
Moderno: se inicia na Espanha e compreende de 1600 até os nossos dias. Para seu estudo foi dividido em duas etapas, considerando as características técnicas do jogo.
Romântica ou Clássica: (1600-1886), caracterizada pelos sacrifícios e combinações ao estilo de um dos mais representativos enxadrista desta etapa, o norte-americano Paul Charles Morphy, e Cientifica: (1886), definida tecnicamente pelo austríaco Wilhelm Steinitz, que a partir de um estudo profundo da obra de Morphy e de outros famosos jogadores da etapa anterior, criou as bases para o estudo do xadrez com critérios formais.
Wilhelm Steinitz (1886-1894) é oficialmente o primeiro campeão mundial de xadrez. O titulo de Campeã Mundial Feminino começou a ser disputado em 1927, em Londres, durante o Torneio das Nações, nome inicial das Olimpíadas de Xadrez. Vera Menchik foi a primeira campeã e reinou até a sua morte, em 1944. (OLÍMPIO, 2006, p. 5)


            Sem dúvida o Xadrez é um esporte muito prazeroso e que além de proporcionar lazer, possibilitar o exercício lógico e matemático, possibilita vários outros benefícios cerebrais; e não nos esqueçamos de que assim como o corpo, o cérebro também precisa ser exercitado.                                                                                                  






   
Felizmente o Xadrez vem se tornando cada vez mais acessível. Através de meios eletrônicos (programas, partidas online, blogs, vídeos, etc.), atividades escolares, campeonatos, cursos de extensão oferecidos em Universidades ou mesmo escolas (fundamental e médio), livros, filmes e o bom e tradicional tabuleiro de Xadrez, que proporciona às pessoas se encontrarem, se socializarem, refletirem uma boa partida e perceberem as múltiplas possibilidades que este hobby pode oferecer.
O filósofo alemão Leibniz, que deu uma forte contribuição para a matemática e a lógica durante a Idade Moderna, afirmava que o Xadrez é uma ciência. Já, Amanda Saito Cursino em seu blog “Exatamente Falando”, veicula a seguinte afirmação:


O Xadrez é uma arte de grande beleza e apresenta imensa riqueza de possibilidades. É um passatempo agradável e instrutivo que entreteve grandes personalidades de nossa história como Napoleão, Einstein, Voltaire, Goethe, Montesquieu, Benjamin Franklin, Victor Hugo, Machado de Assis e Monteiro Lobato – para citar apenas alguns. E hoje é um esporte que pode ser jogado não presencialmente, através de redes de computadores como a Internet, estando o adversário em qualquer lugar do planeta, e por isso o que mais cresce em adeptos, sendo já considerado o esporte do novo milênio.[i]


O CBC (Conteúdo Básico Comum) de Educação Física do Estado de Minas Gerais propõe quatro eixos temáticos, sendo estes: I – Esporte; II – Jogos e Brincadeiras; III – Ginástica; IV – Dança e Expressões Rítmicas.
Dentro do eixo temático II, jogos e brincadeiras o Xadrez é mencionado: 
 

Incluir os jogos e as brincadeiras populares como o bentealtas, o rouba-bandeira, a queimada, o tico-tico fuzilado; os jogos de salão, como a dama, o xadrez, o futebol de prego; os jogos de carta; os jogos derivados de esportes coletivos, como o 21, o corta-três, o paulistinha, o paredão, o peruzinho; os jogos de raquete, como o pingue-pongue, frescobol, nos currículos escolares, é considerar um importante conteúdo presente na diversificada cultura brasileira. Identificar como os pais, os tios e os avós de nossos alunos brincavam poderá contribuir para uma reflexão sobre as mudanças e permanências culturais em nossa sociedade hoje. Analisar a influência dos jogos eletrônicos, dos videogames e dos jogos de computador na vida de jovens e adolescentes é uma importante habilidade a ser desenvolvida por meio deste eixo temático.










Enfim, é isso... espero que está breve matéria sirva para lhe instigar à prática do Xadrez ou reavivar em quem já é adepto ou adepta do esporte a ‘chama’ que nos impele a buscar novas estratégias, jogadas ou percepções diante do ‘mar’ de possibilidades que o Xadrez coloca a nossa disposição e despeço-me de você deixando algumas referências.

Abraço e até a próxima!



Para quem pretende conhecer ou baixar a Proposta Curricular de Educação Física – CBC – Fundamental – 6º ao 9º - basta acessar o link:


Para conhecer ou baixar o conteúdo, porém referente ao Ensino médio basta acessar o link:


Alguns livros que podem ajudar na prática do Xadrez:

 
Curso de Xadrez vol. I e II

Que são ambos obra de Boris Zlotnik e colaboradores.

Referências:


CENTRO de referência do professor. Proposta curricular – CBC: educação física – fundamental – 6º ao 9º ano. Revisado em jul. 2008. Disponível em: <http://crv.educacao.mg.gov.br/sistema_crv/index.aspx?id_projeto=27&id_objeto=67922&tipo=ob&cp=999999&cb=&n1=&n2=Proposta%20Curricular%20-%20CBC&n3=Fundamental%20-%206%C2%BA%20ao%209%C2%BA&n4=Educa%C3%A7%C3%A3o%20F%C3%ADsica&b=s>. Acesso em: 3 jun. 2013.

CURSINO, Amanda Saito. Por que jogar xadrez?. In: Exatamente falando. Disponível em: <http://exatamentefalando.blogspot.com.br/2011/06/porque-jogar-xadrez.html>. Acesso em: 3 Jun. 2013.  

OLIMPIO, Anderson. Curso básico de xadrez.  Goiânia: [s.n.], 2006.

XADREZ. In: WIKIPÉDIA, a enciclopédia livre. Flórida: Wikimedia Foudation. 2013. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Especial:Citar&page=Xadrez&id=35626644>. Acesso em: 3 jun. 2013.

ZLOTNIK, Boris ... [et al.]. Curso de xadrez / Boris Zlotnik ... [et al.]. Tradução Abrão Aspis. – Porto Alegre: Artmed, 2006.  







[i] Citação retirada do Blog Exatamente Falando (http://exatamentefalando.blogspot.com.br/2011/06/porque-jogar-xadrez.html); com acesso em 02 de Junho de 2013. 

sexta-feira, 22 de março de 2013

"ISSO NÃO É SOBRE SEXO, É SOBRE VIOLÊNCIA": marcha das vadias

No dia 09 de março de 2013 aconteceu em Uberlândia um movimento inédito, ou seja, um protesto que visou conscientizar a população local sobre os altos índices de violência contra a mulher. O presente movimento que nasceu no Canadá ficou conhecido como: MARCHA DAS VADIAS.


Como podemos perceber a manifestação reuniu vários tipos de protesto, indo da manifestação contra o capitalismo avançado à homofobia, embora o objetivo principal é o combate à violência. A manifestação contou a organização de vários coletivos, com integrantes feministas, antiautoritári@s, anticapitalista, que compõem a pluralidade de coletivos da Universidade Federal de Uberlândia. Tratou-se de um movimento extremamente politizado e de organização admirável. 

POR QUE MARCHA DAS VADIAS


2012 - ALGUNS DADOS DA VIOLÊNCIA NO BRASIL:

7º PAÍS no ranking mundial de maior número de morte de mulheres.

42,5% o agressor é o parceiro ou ex-parceiro da mulher.

A Marcha teve o apoio da Polícia Militar e segundo o jornal Correio de Uberlândia, o presente acontecimento reuniu aproximadamente 500 manifestantes que reuniram-se na praça Clarimundo Carneiro, ao centro de Uberlândia e marcharam até o Fórum Abelardo Pena, na praça Professor de Jacy, próximo ao Terminal Central de Uberlândia.  O dado acontecimento reforçou a importância de conscientizarmos uma parcela da sociedade que ainda entende este tipo de violência como crime, e que ainda que tenhamos leis que objetivam proteger seres humanos da violência doméstica, existe ainda as barreira do medo a ser ultrapassada. Romper com os preceitos morais interiorizados por uma sociedade é um desafio colocado a toda e qualquer nação que almeja assegurar a dignidade humana e qualquer outro tipo de liberdade ou igualdade.
Podemos concluir que se um ou os indivíduos tem seus direitos respeitados em uma sociedade democrática, como a contemporânea, estes direitos vieram a duras penas e sacrifício de uma parcela dessa sociedade e que embora esta seja chamada de democrática, ela partilha muito do conceito de tirania presente mesmo na instauração da democracia ainda na Grécia Antiga.

Seguem algumas fotos que podem ser encontradas no endereço: http://marchadasvadiasudi.tumblr.com/







SEGUE UM DOS FOLDER'S DE DIVULGAÇÃO VIRTUAL PARA A PREPARAÇÃO DA MARCHA:


UMA DAS MÚSICAS CANTADAS DURANTE A MARCHA FOI:


"Vamos lá mulherada pra rua
Quero ver essa saia rodar
Entoando um canto de luta
Se movendo pra o mundo mudar
Desse jeito é que começa rodando a saia, largando o fogão
Rompendo com a velha estrutura 
Pois queremos a libertação!
Rompendo com a velha estrutura
Pois queremos a transformação!"


REFERÊNCIAS:


MARCHA DAS VADIAS. In: WIKIPÉDIA, a enciclopédia livre. Flórida: Wikimedia Foudation, 2013. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Marcha das Vadias&oldid=33630206> Acesso em: 22 mar.2013.

MARCHA DAS VADIAS. In: <http://marchadasvadiasudi.tumblr.com/> Acesso em: 22 março 2013.

PACHECO, pablo. Marcha das vadias pela primeira vez em Uberlândia reuniu 500 manifestantes. Correio de Uberlândia. Uberlândia, 09 março 2013. Disponível em: <http://www.correirodeuberlandia.com.br/cidade-e-regiao/marcha-das-vadia-pela-primeira-vez-em-ubelandia-reuniu-500-manifestantes/> Acesso em: 22 março 2013.


quarta-feira, 20 de março de 2013

PAIDÉIA


“Paideia (FO 1943: Paidéia), segundo Werner Jaeger, era o "processo de educação em sua forma verdadeira, a forma natural e genuinamente humana" na Grécia antiga.
HISTÓRIA
Inicialmente, a palavra paideia (de paidos - criança) significava simplesmente "criação de meninos". Mas, como veremos, este significado inicial da palavra está muito longe do elevado sentido que mais tarde adquiriu.
O termo também significa a própria cultura construída a partir da educação. Era o ideal que os gregos cultivavam do mundo, para si e para sua juventude. Uma vez que o governo próprio era muito valorizado pelos gregos, a Paideia combinava ethos (hábitos) que o fizessem ser digno e bom tanto como governado quanto como governante. O objetivo não era ensinar ofícios, mas sim treinar a liberdade e nobreza. Paideia também pode ser encarada como o legado deixado de uma geração para outra na sociedade.
Um pedagogo - um escravo, na época - conduzia o jovem, com sua lanterna ilumina(dor(a)), até aos centros ou assembleias, onde ocorriam as discussões que envolviam pensamentos críticos, criativos, resgates de cultura, valorização da experiência dos anciãos etc.
Supõe-se que, no processo sócio-histórico, esse mesmo pedagogo libertou-se, talvez de tanto dialogar nos acompanhamentos do jovem até as assembleias, tornando-se um personagem da paideia, e seu consuma(dor).
Mas, se até então o objectivo fundamental da educação era a formação aristocrática do homem individual como Kalos agathos ("Belo e Bom"), a partir do século V a.C., exige-se algo mais da educação. Para além de formar o homem, a educação deve ainda formar o cidadão. A antiga educação, baseada na ginástica, na música e na gramática deixa de ser suficiente.
É então que o ideal educativo grego aparece como paideia, formação geral que tem por tarefa construir o homem como homem e como cidadão. Platão define paideia da seguinte forma "(...) a essência de toda a verdadeira educação ou paideia é a que dá ao homem o desejo e a ânsia de se tornar um cidadão perfeito e o ensina a mandar e a obedecer, tendo a justiça como fundamento" (cit. in Jaeger, 1995: 147)
Do significado original da palavra paideia como criação de meninos, o conceito alarga-se para, no século IV a.C., adquirir a forma cristalizada e definitiva com que foi consagrado como ideal educativo da Grécia clássica.
Como diz Jaeger (1995), os gregos deram o nome de paideia a "todas as formas e criações espirituais e ao tesouro completo da sua tradição, tal como nós o designamos por Bildung ou pela palavra latina, cultura." Daí que, para traduzir o termo paideia "não se possa evitar o emprego de expressões modernas como civilização, tradição, literatura, ou educação; nenhuma delas coincidindo, porém, com o que os gregos entendiam por paideia. Cada um daqueles termos se limita a exprimir um aspecto daquele conceito global. Para abranger o campo total do conceito grego, teríamos de empregá-los todos de uma só vez." (Jaeger, 1995: 1).
Na sua abrangência, o conceito de paideia não designa unicamente a técnica própria para, desde cedo, preparar a criança para a vida adulta. A ampliação do conceito fez com que ele passasse também a designar o resultado do processo educativo que se prolonga por toda vida, muito para além dos anos escolares.
A paideia, vem por isso a significar "cultura entendida no sentido perfectivo que a palavra tem hoje entre nós: o estado de um espírito plenamente desenvolvido, tendo desabrochado todas as suas virtualidades, o do homem tornado verdadeiramente homem" (Marrou, 1966: 158).
Paideia na atualidade
Mortimer Adler - um filósofo norte-americano - tenta, com sua produção científica, resgatar a paideia hoje, na nossa contemporaneidade. Ele destaca a importância de ler, estudar e apreender as ideias dos grandes pensadores, e a vida toda, lutou por isso.” (Matéria retirada do site Wikipédia).

GRUPO DE TEATRO PAIDÉIA:

  

Um pouco sobre Paidéia na Filosofia:

Faça uma reflexão sobre o conceito de Paidéia e contraponha ao modelo de educação vigente na sociedade que você faz parte. Faça-se a seguinte pergunta: A vida possibilita a educação ou a educação possibilita a vida? Apenas é possível conhecer quando se tem alguém que ensina? Deixamos de aprender quando esse alguém está ausente? Como aprendemos a andar? A falar? O conhecimento pode ser encontrado apenas entre as paredes da Escola? Não entenda este questionamentos como uma afirmação de que a escola é desnecessária, mas sim como uma afirmação de que a escola é apenas uma parte do processo educacional de cada um de nós. Estamos aprendendo a todo instante, seja coisas boas ou coisas ruins. Muitas vezes aprendemos perfeitamente como se deu a transição do Renascentismo para o Iluminismo histórica, filosófica, sociológica, ou artisticamente, mas não consigo analisar o reflexo de uma arte burguesa em minha vida. Qual o significado dos dizeres Igualdade, Liberdade e Fraternidade, na Constituição brasileira. Porque a sociedade afirma que todos são iguais (isonomia), porém o mercado de trabalho exige de você algo mais, algo que o seu "concorrente" não tem. Direitos iguais, porém a desigualdade social é latente. Os mesmos direitos e deveres são assegurados a todos os cidadãos das diferentes classes sociais, porém as necessidades e singularidades referentes a cada indivíduo são diferentes. O Estado (fraterno) quer entender o povo (filho) como uma só massa, livre e igual, cegando para a enorme diferença econômica e cultural que há entre cada membro dessa sociedade. A problemática é: recebermos uma educação para ler o mundo (a vida), ou para servir a uma particularidade? (mercado de trabalho). A vida se resume a isso? Só é considerado trabalho a atividade assalariada? É preciso perceber o mundo através de outras perspectivas. Um saber autônomo é fundamental para tal exercício. Reflita novamente sobre o conceito de Paidéia, pesquise mais a fundo e se você achar que tal conceito é positivo adote esta prática (teoria+prática) para sua vida.

REFERÊNCIAS:                                                                                                                         PAIDEIA. In: WIKIPÉDIA, a enciclopédia livre. Flórida: Wikimedia Foundation, 2013. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Paideia&oldid=34435508>. Acesso em: 16 mar. 2013.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Dia Nacional da Visibilidade das Travestis




Segue a matéria veiculada pela ONU:

"Dez representantes e lideranças das pessoas trans (travestis e transexuais) estiveram na segunda-feira (28) na sede do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), em Brasília, para um encontro com os pontos focais HIV/AIDS e LGBT do PNUD e do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (UNAIDS). O objetivo da reunião foi conhecer em detalhes as demandas do grupo para a construção de um plano de trabalho conjunto.
No Brasil, somente no ano de 2011, foram registradas 6.809 denúncias de violações de direitos humanos da população LGBT. Em 2012, 86 travestis foram assassinadas com requintes de crueldade.
“Esses números são preocupantes, mas também nos chamam a atenção para o fato de que nao é somente a violência física que vitima a população LGBT no Brasil”, diz Joaquim Roberto Fernandes, oficial de programa do PNUD, ponto focal para as temáticas HIV/AIDS e LGBT. “A população LGBT é constantemente excluída do exercício de vários direitos humanos fundamentais, tais como o direito ao trabalho, o direito à educação, o direito à saúde”, explicou.
Ao longo do encontro, o PNUD – no papel de promotor dos direitos humanos da comunidade LGBT – reafirmou o compromisso de apoiar e incentivar a sociedade civil na luta contra a homo-lesbo-transfobia.
“Este foi um compromisso que  assumimos no último Entlaids (Encontro Nacional de Travestis e Transexuais que Atuam na Luta contra a AIDS) que aconteceu no ano passado aqui em Brasília”, conta Fernandes. “Vamos trabalhar juntos pela redução das desigualdades, a garantia direitos humanos e a promoção do desenvolvimento”, completou.
Segundo a Presidente da Associação de Travestis e Transsexuais (ANTRA), Cris Stefanny, este intercâmbio é essencial para que o movimento se fortaleça em todo o país e ganhe mais elementos com os quais trabalhar para a promoção dos direitos das pessoas trans. “Precisamos, por exemplo, de dados estatísticos mais precisos sobre a população trans, como ela vive, quem está atualmente vivendo com HIV, quem tem acesso aos serviços básicos de saúde e ao tratamento”, ressaltou. “O que recebemos de telefonemas, reclamações e denúncias nos dão a certeza de que os números são muito maiores e precisamos comprovar isso”, diz.
Travestis e transexuais muitas vezes não concluem o ensino fundamental pela falta de reconhecimento do seu nome social e pelas constantes humilhações a que são submetidas nesse contexto. O resultado é a redução da autoestima, o abandono da escola, a inserção no mercado informal de trabalho visando a sobrevivência e o enfrentamento constante de situações de risco e outras vulnerabilidades.

“Estes fatores contribuem para excluir a população LGBT do processo de desenvolvimento humano, já que ele está atrelado às oportunidades de aprimoramento das capacidades de cada pessoa e oportunidades de ser quem eles e elas são, e de fazer o que querem como seres humanos”, explica Angela Pires Pinto, ponto focal para HIV/AIDS do PNUD.
Dia Nacional da Visibilidade das Travestis
O dia 29 de janeiro é marcado com a comemoração do Dia Nacional de Visibilidade das Travestis. Este dia foi reservado para esta temática há nove anos, quando o Programa Nacional de DST e Aids do Ministério da Saúde lançou a campanha “Travesti e Respeito”, com o objetivo de sensibilizar profissionais de saúde e motivar travestis e transsexuais ao exercício da cidadania e do respeito mútuo.
Segundo o Ministério da Saúde, pela primeira vez uma travesti será protagonista de uma campanha de Carnaval. “Em um dos cartazes que serão veiculados pelo País, um rapaz e uma travesti aparecem juntos como um casal, pulando Carnaval. A ideia é mostrar que esse tipo de situação é normal e que o único problema em qualquer relação de Carnaval é esquecer do uso da camisinha”, explica o site do Ministério." 

Notas:
  1. PNUD: http://pnud.org.br
  2. UNAIDS: http://www.unaids.org.br
Link permanente: http://www.onu.org.br/pnud-reforca-apoio-as-pessoas-trans-na-promocao-dos-direitos-humanos/



REFERÊNCIAS:

DIA NACIONAL DE VISIBILIDADE TRANS: 29 DE JANEIRO.MP4. in: YOUTUBE. Publicado em: 25 de janeiro de 2013. Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=Wc3_fxLPpL4> Acesso em: 12 de fevereiro de 2013.

FILOSOFIA, POR MARIA GADU. in: YOUTUBE. Publicado em: 22 de julho de 2010. Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=A8_hnnMF108> Acesso em: 12 de fevereiro de 2013.

PNUD REFORÇA APOIO ÀS PESSOAS TRANS NA PROMOÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS. in: ONUBR - Nações Unidas no Brasil. Publicado em: 29 de janeiro de 2013. Disponível em: <http://www.onu.org.br/pnud-reforca-apoio-as-pessoas-trans-na-promocao-dos-direitos-humanos/> Acesso em 12 de fevereiro de 2013.



domingo, 10 de fevereiro de 2013

Philosopher - Yellowstone



Por várias vezes já me peguei imerso em pensamentos, refletindo acerca de como as pessoas percebem, pensam ou queriam que fosse o mundo. Não pretendo fazer aqui uma abordagem do sistema desenvolvido por Hume, Kant, ou tantos outros filósofos patenteados, mas apenas falar do que as vezes perpassa meus pensamentos... uma conversa, nos moldes daquelas que temos quando nos sentamos com um amigo na borda da calçada e olhando as enigmáticas estrelas que compõem o céu, perpassamos a noite conversando sobre possibilidades e verossimilhanças. Mas retomando... vejo o mundo de possibilidades que crio em pensamentos; "Como é o mundo pra mim?", "O que é o mundo pra mim?", "Como poderia ser o mundo?", "Como pode ser o mundo?"... entre tantas outras questões. Desço de minha 'bike' abro os olhos e vejo o mundo e os olhos da alma deixam de buscar a perfeição das Ideias e nesta confusão tento me encontrar. Nesta viagem planar tento desempenhar o papel do demiurgo, contemplando as Ideias e com a matéria que me é disponível modelando este mundo físico e sensível. Porém na figura deste artesão, que contempla  o Ideal e tenta reproduzi-lo, acabamos sofrendo pela falta de lugar, a falta de apoio para os pés, semelhante ao qual Descartes reclama ser necessário à Arquimedes, para que este sustente o mundo em suas costas; é como poder 'olhar' o Inteligível e modelar o Sensível, porém estar no espaço vazio, que na condição desse intermediador acabamos como o pedreiro (artesão) que levanta um alto edifício e não pode desfrutá-lo, mencionado por Zé Ramalho na canção "Cidadão"  e, por outro lado, o músico profissional que acessa a ideia e esteticamente a representa, mas acaba não há vivendo, pois esta torna para si uma mercadoria. Talvez, seja está a alegria e o sofrimento do filósofo, idealizar um mundo melhor, porém não conseguir acessá-lo, mas ainda tendo uma forte convicção de que não alcançará o seu ideal, se esforça ao máximo para torná-lo o mais verossimilhante possível. Em certa medida, acredito eu, cada ser humano tem um pouco deste filósofo dentro de si, ainda que falo aqui de modo alegórico, pois na busca de cada um à seus interesses particulares praticamos aquilo que acreditamos ser o mais próximo de um ideal, embora muitas vezes nos afastamos em vez de nos aproximarmos; isto na Ética, na Política, na Estética, na Teologia e assim por diante... mesmo que a filosofia não tenha pretensões particulares como a ciência. Talvez seja esta uma das questões que o filósofo ou a filósofa irá se deparar... a luta com seu íntimo, a relação com o seu externo e como diria Dilthey a constante luta com o enigma da vida.

Marcelo Silva.